Araucária fóssil de frutos esféricos (Araucaria sphaerocarpa)
Araucaria sphaerocarpa: Morfologia e Fósseis do Jurássico | Enciclopédia
Durante o Jurássico Médio, há cerca de impressionantes 170 milhões de anos, a Araucaria sphaerocarpa erguia-se triunfante em extensas e úmidas florestas espalhadas por amplas regiões do globo terrestre. Conhecida pela ciência a partir de formidáveis registros fósseis localizados sobretudo na Patagônia e no Reino Unido, esta conífera de dimensões monumentais habitou ambientes contrastantes pertencentes tanto ao supercontinente de Gondwana quanto à gigantesca Laurásia. O nome científico da espécie deriva diretamente do formato peculiar e exótico de suas estruturas reprodutivas, que sugerem dinâmicas evolutivas altamente específicas voltadas para a otimização da dispersão de suas sementes durante o auge da era Mesozoica.
Taxonomia
- ∟ царство Plantae
- ∟ divisão Tracheophytes
- ∟ subdivisão Spermatophytes (Plantas com sementes)
- ∟ superclasse Gymnospermae
- ∟ divisão Pinophyta
- ∟ subclasse Cupressidae
- ∟ ordem Araucariales (Pinheiros-do-paraná)
- ∟ família Araucariaceae (Araucariáceas)
- ∟ gênero Araucaria (Araucária-comum)
- ∟ espécie Araucaria sphaerocarpa (Araucária fóssil de frutos esféricos)
Morfologia
Os exemplares vigorosos de Araucaria sphaerocarpa podiam alcançar várias dezenas de metros de altura em seu desenvolvimento máximo, exibindo um tronco reto, sólido e majestoso, que suportava colunas volumosas de densa folhagem. Os ramos eram completamente preenchidos por folhas aciculares muito rígidas e fortemente estriadas, que se dispunham de forma helicoidal, configurando um padrão visual arquitetônico bastante próximo ao das imponentes araucárias que conhecemos no mundo moderno. Seus enormes cones reprodutivos abrigavam sementes perfeitamente esféricas, uma característica morfológica surpreendente que motivou o seu epíteto específico botânico. Com base nas evidências, a espécie era claramente monoica, desenvolvendo cones masculinos e femininos separados no mesmo grande indivíduo, e contava provavelmente com a constante força dos ventos jurássicos para realizar a polinização cruzada com eficiência.
Fatos interessantes
A presença documentada e simultânea desta imensa conífera em depósitos fósseis no Hemisfério Sul, como nos sítios paleontológicos da Argentina, e no longínquo Hemisfério Norte, nos depósitos geológicos do Reino Unido, comprova indiscutivelmente a incrível capacidade de dispersão em escala global da família Araucariaceae no passado remoto da Terra. O desaparecimento desta espécie magnífica é geralmente associado pelas equipes de cientistas a profundas e severas flutuações climáticas daquela época, que desestabilizaram drasticamente as temperaturas médias globais e alteraram fatalmente a disponibilidade hídrica local. Estudos paleobotânicos minuciosos realizados em Somerset, na Inglaterra, e em remotas formações rochosas da Patagônia confirmam suas estreitas relações de parentesco genético e morfológico com as antigas linhagens da seção Bunya, as quais surpreendentemente conseguiram sobreviver e hoje crescem restritas apenas em solos da Austrália moderna.
Geografia de distribuição
- Argentina
- Reino Unido
Fontes
- Stockey, R.A. 1980: Anatomy and morphology of Araucaria sphaerocarpa. Botanical Gazette.
- Escapa, I. et al. 2010: Araucariaceae fossils from the Jurassic of Patagonia. Review of Palaeobotany and Palynology.
- Harris, T. M. 1961: The Fossil Araucariaceae of the British Jurassic. Palaeontology.
- Spicer, R. A. & Parrish, J. T. 1990: Middle Jurassic Flora of Gondwana. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology.