Loteiro do sul típico
Subespécie típica do lódão-bastardo, amplamente cultivada na Bacia do Mediterrâneo.
Com uma casca lisa e cinzenta que remete à textura da pele de um elefante, o Celtis australis ergue-se como uma testemunha silenciosa através dos séculos nas paisagens quentes e secas da bacia do Mediterrâneo. Conhecido popularmente como lódão-bastardo, esta majestosa árvore é amplamente apreciada por sua extraordinária longevidade, podendo ultrapassar os seis séculos de vida enquanto projeta uma sombra densa em terrenos rochosos e áridos.
Atualmente classificado na família Cannabaceae, o Celtis australis adapta-se com perfeição a diferentes ecossistemas, distribuindo-se desde o sul da Europa e norte da África até a Ásia Menor. A espécie revela uma rusticidade notável frente à poluição urbana e secas prolongadas, sendo, por isso, frequentemente integrada à arborização de parques e amplas avenidas. Além de seu valor paisagístico, os pequenos frutos escuros desta árvore alimentam uma rica biodiversidade, sendo muito procurados por diversas espécies de pássaros e outros animais silvestres.
O Celtis australis apresenta um porte arbóreo caducifólio que atinge geralmente de 15 a 25 metros de altura, com espécimes mais contidos em regiões de clima mais frio. O tronco caracteriza-se por ser ereto e esguio, revestido por uma casca cinzenta e surpreendentemente plana, sem fissuras ou estrias profundas, formando na base amplas raízes de suporte em indivíduos maduros. A copa desenvolve-se de maneira arredondada, ampla e bastante ramificada.
As folhas são simples, alternas e pecioladas, medindo de 5 a 15 centímetros de comprimento. Elas possuem formato ovado a lanceolado, com margens finamente serrilhadas e um ápice pontiagudo (acuminado). A lâmina foliar exibe uma nítida assimetria na base, uma característica comum no gênero, e conta com três nervuras principais evidentes. A face superior (feixe) é áspera ao toque e verde-escura, enquanto a inferior (envés) é de coloração mais clara e ligeiramente pilosa. Antes de caírem no outono, adquirem um belo tom amarelo-claro.
As flores inconspícuas e desprovidas de pétalas (monoclamídeas) são hermafroditas ou unissexuais masculinas, de coloração verde-amarelada, despontando solitárias ou em pequenos fascículos nas axilas das folhas. A polinização é tipicamente efetuada pelo vento. O fruto é uma pequena drupa globosa, de cerca de 1 centímetro de diâmetro, suspensa por um longo pedúnculo. Inicialmente esverdeada, a drupa torna-se púrpura-escura ou quase negra na maturação, contendo uma polpa carnosa de sabor adocicado que envolve um endocarpo rijo e reticulado.
A floração discreta ocorre durante a primavera, acompanhando o surgimento da nova folhagem.
A madeira do Celtis australis destaca-se por sua excepcional tenacidade, leveza e flexibilidade. Ao longo da história, converteu-se na matéria-prima ideal para a confecção de ferramentas agrícolas manuais, cabos de foices, forcados, chicotes e remos de barcos. A capacidade de absorver choques sem se partir também levou ao seu uso no artesanato rural e na produção de bengalas, enquanto as raízes eram aproveitadas para esculpir cachimbos de alta resistência.
As propriedades da espécie estendem-se também aos campos alimentar e medicinal:
A profunda conexão botânica e cultural do Celtis australis remonta à Antiguidade e à mitologia clássica. Na epopeia literária "A Odisseia" de Homero, o herói Ulisses (Odisseu) e sua tripulação chegam à terra dos Lotófagos, uma tribo pacífica cuja dieta baseava-se na flor de lótus, que causava profundo esquecimento. Vários estudiosos e botânicos antigos, como Heródoto, Dioscórides e Teofrasto, postularam que esse lendário fruto reconfortante seria, na realidade, as saborosas drupas desta árvore.
As peculiaridades da espécie marcam presença em diversas regiões do mundo:
Subespécie típica do lódão-bastardo, amplamente cultivada na Bacia do Mediterrâneo.
Subespécie de lódão nativa do Cáucaso e adaptada a solos rochosos e climas áridos.
Forma botânica ornamental do lódão-bastardo que exibe uma folhagem variegada única.
Celtis brasiliensis
Árvore ou arbusto caducifólio nativo de diversas regiões da América do Sul.
Celtis gomphophylla
Árvore de grande porte nativa da África Subsaariana, Madagascar e Comores.
Celtis madagascariensis
Árvore caducifólia de pequeno porte pertencente à família Cannabaceae e endêmica de Madagascar.
Celtis aurantiaca
Espécie de árvore decídua nativa da Ásia Oriental, notável por suas folhas de formato peculiar.