Erva-moura-andina-rasteira (Jaltomata procumbens)

Jaltomate Erva-moura-rasteira
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Jaltomata procumbens (jaltomate): morfologia, cultivo e usos

A Jaltomata procumbens é uma erva de porte espalhado ou ascendente que habita encostas montanhosas, bosques de pinheiros e campos agrícolas desde o sul dos Estados Unidos até a cordilheira dos Andes. Seu epíteto específico procumbens vem do latim e significa prostrado ou rasteiro, aludindo aos seus múltiplos ramos que se estendem rente ao solo antes de erguerem suas pontas carregadas de bagas escuras com aroma de uva.

Pertencente à família das solanáceas (Solanaceae), a espécie foi descrita originalmente em 1791 pelo botânico espanhol Antonio José Cavanilles sob o nome de Atropa procumbens, além de ter circulado historicamente pelo sinônimo Saracha edulis. Somente em 1973 o taxonomista Johnnie Lee Gentry transferiu a planta para o gênero Jaltomata, consolidando sua classificação atual.

Taxonomia

  • ∟ царство Plantae
  • ∟ divisão Tracheophytes (Plantas vasculares)
  • ∟ subdivisão Spermatophytes (Plantas com sementes)
  • ∟ Angiosperms
  • ∟ mesangiosperms (Mesangiospermas)
  • ∟ eudicots (Eudicotiledôneas)
  • ∟ core eudicots
  • ∟ asterids
  • ∟ ordem Solanales
  • ∟ família Solanaceae
  • ∟ gênero Jaltomata
  • ∟ espécie Jaltomata procumbens (Erva-moura-andina-rasteira)

Morfologia

Porte e caules

Trata-se de uma planta herbácea perene ou subarbustiva que forma numerosos ramos a partir de uma única raiz, atingindo geralmente de 30 centímetros a 2 metros de comprimento. O caule é oco, anguloso e verde, apresentando superfície lisa ou coberta por tricomas — finos pelos vegetais que adquirem tonalidade esbranquiçada quando secam.

Folhas

As folhas são ovadas a largamente lanceoladas, medindo até 20 centímetros de comprimento, com margens inteiras ou levemente sinuadas e ápice pontiagudo. Seus pecíolos (cabinhos foliares) chegam a 5 centímetros e costumam ser estreitamente alados devido à base da lâmina foliar que se prolonga por eles.

Flores e frutos

As inflorescências do tipo umbela (onde os pedicelos partem de um mesmo ponto como as varetas de um guarda-chuva) reúnem flores em forma de roda, com 10 a 15 milímetros de diâmetro:

  • A corola exibe tom amarelo-pálido a branco-esverdeado, adornada por manchas verdes mais escuras perto do centro e cinco lóbulos triangulares.
  • O cálice (conjunto de sépalas na base da flor) acompanha o desenvolvimento do fruto, expandindo-se até atingir cerca de 1 centímetro de comprimento, mas mantendo-se aberto sem envelopar a baga.
  • O fruto é uma baga esférica de 8 a 10 milímetros de diâmetro, de interior mucilaginoso e casca roxo-escura a negra quando madura, abrigando numerosas sementes lenticulares de 1 milímetro.

Período de floração

Verão ao início do outono

Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nome
Dez

Parâmetros de cuidado

Luz

Pleno sol a meia-sombra leve, essencial para estimular a floração contínua e o amadurecimento adocicado dos frutos.

Rega

Regas regulares para manter o substrato levemente úmido, evitando o encharcamento das raízes.

Temperatura

Prefere clima ameno a quente e não tolera geadas, sendo cultivada como anual em regiões de inverno rigoroso.

Umidade

Adapta-se bem à umidade ambiental moderada ou alta, desde que haja boa circulação de ar entre a folhagem.

Toxicidade

As bagas verdes e a folhagem crua contêm glicoalcaloides tóxicos como a solanina; apenas os frutos totalmente negros e maduros devem ser consumidos.

Aplicações

Os frutos totalmente maduros possuem polpa suculenta com aroma marcante que lembra as uvas (Vitis spp.), sendo consumidos frescos ou preparados em geleias e molhos tradicionais no México e na América Central. Em algumas comunidades rurais, as folhas jovens também são aproveitadas após cozimento como verdura (quelite) e empregadas na medicina popular local.

Em regiões de clima temperado, a espécie é cultivada em hortas domésticas e jardins botânicos como planta frutífera anual exótica. Para acelerar a maturação das bagas antes das primeiras quedas de temperatura do outono, os cultivadores costumam fazer a poda das pontas de crescimento no final do verão.

Fatos interessantes

Engenharia floral em dois tempos

A Jaltomata procumbens possui uma coreografia reprodutiva rigorosamente sincronizada para favorecer a polinização cruzada em suas pequenas flores rotáceas. Cada peça floral atua em um cronograma preciso de 48 horas:

  • No primeiro dia de abertura da flor, as cinco anteras (bolsas produtoras de pólen) de tamanho idêntico permanecem hermeticamente fechadas, enquanto o estilete (coluna feminina central) já se ergue reto com o estigma receptivo ao pólen trazido de outras plantas.
  • Apenas no segundo dia os filetes (hastes que sustentam as anteras) sofrem um alongamento coordenado e as anteras se abrem simultaneamente, liberando seu próprio pólen exatamente quando a chance de fecundação cruzada já foi aproveitada.

Domesticação em curso nos campos agrícolas

Nas montanhas da Sierra Madre Ocidental, no México, povos indígenas como os Tarahumara e os Pima Bajo mantêm uma relação de manejo seletivo com esta espécie. Quando a planta surge espontaneamente em meio às lavouras de milho, os agricultores não a arrancam como erva daninha, mas protegem seus ramos para colher as bagas doces que se soltam facilmente do cálice ao amadurecer.

Geografia de distribuição

  • Estados Unidos
  • México
  • Guatemala
  • Honduras
  • El Salvador
  • Nicarágua
  • Costa Rica
  • Panamá
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Equador
  • Peru
  • Bolívia

Informação técnica

Sinônimos do táxon: Witheringia jaltomata, Witheringia diffusa, Witheringia glabrata, Atropa procumbens, Saracha probescens, Saracha microsperma, Saracha procumbens, Witheringia alata, Witheringia laxa, Bellinia procumbens, Witheringia candollei, Witheringia procumbens, Saracha alata, Saracha allogona, Saracha caracasana, Saracha miersii, Saracha laxa, Saracha glabrata, Saracha jaltomata, Saracha conspersa, Saracha sessilis, Physalis solanacea, Witheringia conspersa, Saracha edulis, Witheringia allogona, Bellinia biflora, Saracha procumbens var. pilosula

Bancos de dados externos: GBIF, POWO, Tropicos

Veja também