Amoreira-florestal-de-madagascar (Allaeanthus greveanus)

Vory Ampaly

Allaeanthus greveanus: a árvore malgaxe das florestas secas de Madagascar

O Allaeanthus greveanus é uma árvore ou grande arbusto caducifólio nativo das florestas secas e galerias fluviais do oeste, norte e sul de Madagascar. Seu epíteto específico greveanus homenageia o naturalista e coletor francês Henri Grevé, que explorou a flora malgaxe no final do século XIX, enquanto a planta se destaca na paisagem por sua copa ampla e pelos frutos compostos alaranjados e doces.

A espécie foi descrita originalmente pelo botânico francês Henri Ernest Baillon em 1895 como Ampalis greveana e transferida para o gênero Allaeanthus poruron Capuron em 1972. Atualmente, nas principais bases taxonômicas internacionais como o POWO, seu nome aceito é Broussonetia greveana, mantendo Allaeanthus greveanus como um importante sinônimo botânico.

Taxonomia

  • ∟ царство Plantae
  • ∟ divisão Tracheophytes (Plantas vasculares)
  • ∟ subdivisão Spermatophytes (Plantas com sementes)
  • ∟ Angiosperms
  • ∟ mesangiosperms (Mesangiospermas)
  • ∟ eudicots (Eudicotiledôneas)
  • ∟ core eudicots
  • ∟ Superrosids
  • ∟ rosids
  • ∟ ordem Rosales
  • ∟ família Moraceae
  • ∟ gênero Allaeanthus
  • ∟ espécie Allaeanthus greveanus (Amoreira-florestal-de-madagascar)

Morfologia

De porte médio a grande, esta espécie pode atingir de 5 a 20 metros de altura, apresentando tronco reto de casca acinzentada e lisa que exsuda látex branco ou levemente amarelado quando cortada. Como planta dioica, separa suas flores masculinas e femininas em indivíduos diferentes.

Crescimento e folhagem

  • As folhas são alternas e decíduas (caem durante a longa estação seca malgaxe), com formato ovado a elíptico e ápice acuminado.
  • A superfície foliar possui textura membranácea a cartácea, sustentada por uma nervação peninérvea bem marcada na face inferior e margens inteiras ou levemente onduladas nos ramos jovens.

Inflorescências e sincarpos

  • Os indivíduos masculinos produzem inflorescências alongadas em forma de amentos (espigas pendentes e flexíveis), repletas de pequenas flores com quatro estames que se abrem de modo elástico para lançar o pólen ao vento.
  • Nas árvores femininas, as flores agrupam-se em capítulos globosos densos; após a fecundação, todo o conjunto amadurece formando um sincarpo (fruto múltiplo carnudo) esférico de 1,5 a 2,5 centímetros de diâmetro, rico em polpa adocicada.

Período de floração

Floresce no final da estação seca e início da estação chuvosa no hemisfério sul, principalmente de setembro a dezembro.

Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nome
Dez

Aplicações

Nas comunidades rurais do oeste e sudoeste de Madagascar, a árvore — conhecida pelo nome vernáculo vory — possui aproveitamento tradicional tanto na alimentação quanto na carpintaria leve.

Os sincarpos maduros apresentam polpa carnosa e adocicada, sendo colhidos diretamente dos ramos para consumo in natura pela população local. A madeira, de densidade leve a moderada e fácil de trabalhar, é empregada na confecção de utensílios domésticos, caixotaria e pequenas construções rurais, enquanto o líber (entrecasca fibrosa) fornece fibras resistentes para cordoaria artesanal.

Fatos interessantes

A sobrevivência do Allaeanthus greveanus nas regiões semiáridas e de floresta decídua do oeste de Madagascar depende de uma sincronia precisa entre o regime de monções e sua mecânica floral. Durante os meses de estiagem severa, a árvore entra em repouso absoluto e perde toda a folhagem, evitando a perda de água por transpiração.

Balística de pólen e parceria com a fauna malgaxe

  • Logo antes das primeiras chuvas de outubro e novembro, os botões masculinos inflam: seus filetes estaminais ficam dobrados sob tensão dentro do botão floral fechado, acumulando energia elástica.
  • No momento em que a flor se abre sob o ar seco da manhã, os estames se desenrolam num disparo súbito e lançam uma nuvem de pólen fino nas correntes de vento, garantindo a polinização cruzada antes mesmo que as folhas novas bloqueiem a circulação do ar.
  • Semanas depois, os frutos múltiplos carnudos amadurecem exatamente quando lêmures e aves frugívoras endêmicas buscam alimentos calóricos, funcionando como cápsulas nutritivas cujas pequenas sementes atravessam intactas o trato digestivo desses animais para colonizar novas clareiras.

Geografia de distribuição

  • Madagascar

Informação técnica

Sinônimos do táxon: Chlorophora humbertii, Chlorophora greveana, Maclura greveana, Maclura humbertii, Broussonetia greveana

Bancos de dados externos: GBIF, POWO, Tropicos

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