Ampelócera-de-hottle (Ampelocera hottlei)

Cuerillo Coquito Ojoche-branco Luin Tison

Ampelocera hottlei: a árvore neotropical da família Ulmaceae

A Ampelocera hottlei é uma imponente árvore de dossel que habita as florestas tropicais muito úmidas de baixa altitude, estendendo-se desde o sul do México até a Colômbia. Facilmente reconhecida na mata pelo tronco esbranquiçado sustentado por sapopemas estreitas na base e pelos frutos amarelos de textura aveludada, ela recebeu o epíteto específico hottlei em homenagem a William D. Hottle, coletor florestal que reuniu os primeiros exemplares da árvore em Honduras.

A espécie pertence à família Ulmaceae (embora alguns catálogos secundários tenham chegado a listá-la em Cannabaceae durante revisões antigas da ordem Rosales). Ela foi descrita inicialmente em 1929 pelo botânico americano Paul Carpenter Standley como Celtis hottlei e transferida pelo próprio autor para o gênero Ampelocera em 1937, na revista científica Tropical Woods.

Taxonomia

  • ∟ царство Plantae
  • ∟ divisão Tracheophytes (Plantas vasculares)
  • ∟ subdivisão Spermatophytes (Plantas com sementes)
  • ∟ Angiosperms
  • ∟ mesangiosperms (Mesangiospermas)
  • ∟ eudicots (Eudicotiledôneas)
  • ∟ core eudicots
  • ∟ Superrosids
  • ∟ rosids
  • ∟ ordem Rosales
  • ∟ família Ulmaceae
  • ∟ gênero Ampelocera
  • ∟ espécie Ampelocera hottlei (Ampelócera-de-hottle)

Morfologia

Em seu habitat natural, a Ampelocera hottlei alcança entre 10 e 30 metros de altura, com um tronco reto de 10 a 50 centímetros de diâmetro à altura do peito. Na base do tronco formam-se sapopemas (raízes tabulares estreitas) de cerca de 2 metros de altura, revestidas por uma casca lisa, branca a acinzentada, pontilhada por lenticelas escuras.

Folhagem e venação

  • As folhas são simples, alternas, de formato oblongo a elíptico, medindo de 7 a 26 centímetros de comprimento por 2,6 a 10,5 centímetros de largura, com margens inteiras e textura firme (subcoriácea).
  • A base da lâmina foliar é obliquamente atenuada a arredondada e exibe de 3 a 5 nervuras principais que partem juntas da base (venação palmada basal), enquanto o ápice termina em uma ponta alongada (acuminado).

Flores e frutos

  • As inflorescências surgem nas axilas das folhas na forma de dicásios compostos (pequenos cachos ramificados) de 1 a 2,5 centímetros de comprimento, reunindo de 8 a 17 flores discretas de tom verde-amarelado a arroxeado.
  • Cada inflorescência organiza suas flores de modo estratégico: as flores masculinas (estaminadas, com cerca de 8 estames) ficam na base do cacho, enquanto as flores hermafroditas ou perfeitas (que reúnem pistilo e cerca de 16 estames) ocupam a ponta.
  • Os frutos são globosos a obovoides, medindo de 0,8 a 1,5 centímetro de diâmetro, cobertos por uma penugem densa e macia (velutinos) de cor amarela quando maduros, conservando o cálice na base e o estilete bifurcado no topo.

Período de floração

Final do inverno e início da primavera (principalmente em fevereiro, com frutificação de março a junho)

Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nome
Dez

Aplicações

Ao longo de sua área de ocorrência na Mesoamérica, a Ampelocera hottlei é aproveitada pelas comunidades locais tanto pela resistência mecânica de seu lenho quanto pelas propriedades bioativas de sua casca.

  • A madeira, pesada e de alta durabilidade, é empregada na construção civil rural, em estruturas pesadas e na fabricação de dormentes ferroviários.
  • No estado mexicano de Chiapas, a medicina tradicional utiliza a seiva resinosa obtida pela raspagem da casca interna do tronco para tratar as úlceras cutâneas causadas pela picada da «mosca chiclera» (Lutzomyia olmeca, transmissora da leishmaniose cutânea), aplicando o emplastro diretamente sobre a ferida para acelerar a secagem e a cicatrização.

Fatos interessantes

Viver em florestas pluviais de baixada, onde os solos são frequentemente rasos, encharcados e pobres em nutrientes minerais profundos, exige soluções biomecânicas refinadas para evitar que uma árvore de 30 metros tombe com os ventos de tempestade.

Sapopemas de ancoragem e divisão de trabalho floral

A Ampelocera hottlei combina estabilidade estrutural no solo com uma distribuição inteligente de recursos reprodutivos na copa.

  • Suas sapopemas estreitas de 2 metros de altura funcionam como contrafortes de engenharia civil: em vez de investir em uma raiz pivotante profunda que sufocaria no solo argiloso e úmido, a árvore expande aletas triangulares na base do tronco que trabalham sob tensão e compressão, distribuindo o peso da copa pelas raízes superficiais.
  • No alto dos ramos, a planta pratica a andromonoicia dentro de cada pequeno cacho floral: as flores da base produzem apenas pólen (usando 8 estames), enquanto somente as flores da ponta — mais expostas aos polinizadores e à luz — investem o dobro de estames (cerca de 16) e desenvolvem ovários para gerar frutos.
  • Quando esses frutos amadurecem entre março e junho, seu revestimento amarelo densamente aveludado sinaliza alimento para aves e mamíferos arborícolas, ao mesmo tempo em que a penugem repele o acúmulo de água da chuva sobre a casca do fruto, evitando o apodrecimento precoce antes da dispersão da semente.

Geografia de distribuição

  • México
  • Belize
  • Guatemala
  • El Salvador
  • Honduras
  • Nicarágua
  • Costa Rica
  • Panamá
  • Colômbia

Fontes

  • Plants of the World Online (POWO) — Royal Botanic Gardens, Kew: Ampelocera hottlei (Standl.) Standl.
  • World Flora Online (WFO): Ampelocera hottlei (Standl.) Standl.
  • Tropicos — Missouri Botanical Garden: Ampelocera hottlei (Standl.) Standl.

Informação técnica

Sinônimos do táxon: Celtis hottlei

Bancos de dados externos: GBIF, POWO, Tropicos

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