Árvore-do-bispo-de-muitos-frutos (Bischofia polycarpa)

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Bischofia polycarpa: características, cultivo e usos da árvore chinesa

A Bischofia polycarpa é uma árvore caducifólia de porte médio a grande, nativa das florestas subtropicais úmidas e vales fluviais da China, onde se destaca pela copa densa que ganha tons vibrantes de bronze e carmim antes de cair no outono. Seu epíteto específico polycarpa vem do grego para «muitos frutos» e retrata com fidelidade os cachos pendentes repletos de pequenas bagas esféricas que permanecem nos galhos nus durante o inverno.

A espécie foi descrita inicialmente em 1911 pelo botânico francês Hector Léveillé como Celtis polycarpa e transferida em 1939 por Airy Shaw para o gênero Bischofia, cujo nome homenageia o botânico alemão Gottlieb Wilhelm Bischoff.Nos sistemas botânicos de referência como POWO e WFO, o gênero integra a família Phyllanthaceae (tendo figurado historicamente em Euphorbiaceae).

Taxonomia

  • ∟ царство Plantae
  • ∟ divisão Tracheophytes (Plantas vasculares)
  • ∟ subdivisão Spermatophytes (Plantas com sementes)
  • ∟ Angiosperms
  • ∟ mesangiosperms (Mesangiospermas)
  • ∟ eudicots (Eudicotiledôneas)
  • ∟ core eudicots
  • ∟ Superrosids
  • ∟ rosids
  • ∟ ordem Malpighiales
  • ∟ família Phyllanthaceae
  • ∟ gênero Bischofia
  • ∟ espécie Bischofia polycarpa (Árvore-do-bispo-de-muitos-frutos)

Morfologia

Tronco e arquitetura foliar

De crescimento rápido, a árvore atinge geralmente entre 10 e 15 metros de altura em cultivo, podendo chegar a 25 metros nas florestas aluviais nativas. O tronco é reto, revestido por uma casca marrom-acinzentada levemente fissurada que exsuda uma seiva avermelhada rica em taninos quando ferida.

Ao contrário de sua parente tropical Bischofia javanica, que mantém a copa verde quase o ano inteiro, a Bischofia polycarpa perde totalmente as folhas no inverno e apresenta traços foliares próprios:

  • Folhas trifolioladas em pecíolos longos: cada folha é composta por 3 folíolos sustentados por um pecíolo principal de 6 a 12 centímetros, que amortece o impacto do vento e posiciona as lâminas na luz.
  • Folíolos com margens finamente serrilhadas: as lâminas têm formato ovado-elíptico a oblongo, textura papirácea (mais fina e delicada que na espécie tropical) e margens ornadas por pequenos dentes arredondados, cerca de 2 a 3 por centímetro.

Flores dioicas e cachos de frutos

A espécie é dioica, o que significa que existem árvores exclusivamente masculinas e árvores exclusivamente femininas na população. Na primavera, surgem pequenas flores esverdeadas sem pétalas, reunidas em inflorescências axilares pendentes (tirsoides nas plantas masculinas e racemos nas femininas).

Nas árvores femininas polinizadas, desenvolvem-se densos cachos pendentes de 8 a 15 centímetros carregados de frutos drupáceos globosos, do tamanho de ervilhas (5 a 7 milímetros de diâmetro). Quando amadurecem no final do outono, esses frutos passam do verde ao marrom-avermelhado escuro e permanecem presos aos ramos por meses.

Período de floração

Floresce na primavera (abril a maio no hemisfério norte), com amadurecimento dos fartos cachos de frutos no outono (outubro a novembro).

Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nome
Dez

Parâmetros de cuidado

Luz

Pleno sol a meia-sombra; a exposição solar direta é indispensável para intensificar a coloração avermelhada das folhas no outono.

Rega

Aprecia solos úmidos e regas regulares, apresentando notável tolerância a solos temporariamente encharcados em margens de lagos.

Temperatura

Clima subtropical a temperado ameno; suporta invernos frescos com geadas leves a moderadas (até cerca de -5 °C a -8 °C quando adulta).

Umidade

Adapta-se bem à umidade atmosférica moderada a alta, resistindo ao ar urbano de avenidas e parques.

Toxicidade

A casca, as folhas e os frutos verdes contêm taninos adstringentes que podem causar desconforto gástrico leve se ingeridos por animais domésticos.

Aplicações

No paisagismo e na arborização urbana do leste asiático, a Bischofia polycarpa é amplamente cultivada como árvore de sombra para avenidas, parques públicos e projetos de restauração de margens de rios, graças ao seu sistema radicular vigoroso que suporta solos pesados e alagadiços. Exemplares centenários são preservados em pátios históricos e jardins memoriais chineses pelo valor ornamental de sua folhagem outonal e dos cachos de frutos no inverno.

Na indústria e no uso tradicional, sua madeira avermelhada, densa e extremamente resistente ao apodrecimento sob a água é empregada na construção de pontes, estacas hidráulicas, dormentes e marcenaria. Além disso, as sementes fornecem cerca de 30% de óleo graxo utilizado na fabricação industrial de lubrificantes e sabões, a polpa rica em açúcares já foi aproveitada regionalmente para fermentação, e extratos da casca e raízes são estudados na medicina tradicional chinesa para aliviar dores articulares e inflamações.

Fatos interessantes

O relógio de outono e a engenharia contra o alagamento

Na cultura chinesa, a Bischofia polycarpa é chamada de Chongyangmu — a «árvore do Duplo Nove» — porque o espetáculo de transformação de suas folhas verdes em vermelho-fogo e a maturação de seus cachos de frutos coincidem com o tradicional Festival de Chongyang, celebrado no nono dia do nono mês lunar. Por trás dessa pontualidade sazonal existe um ajuste fisiológico preciso entre o ritmo de queda das folhas e a sobrevivência em vales fluviais sujeitos a inundações.

Enquanto a maioria das árvores da família Phyllanthaceae habita florestas tropicais quentes onde nunca neva, esta espécie avançou para latitudes mais frias ao longo da bacia do rio Yangtzé combinando duas adaptações complementares:

  • Reciclagem foliar sincronizada com as aves: ao sentir o encurtamento dos dias e as primeiras noites frias de outono, a árvore decompõe a clorofila verde para guardar nitrogênio no tronco e sintetiza antocianinas vermelhas nas folhas prestes a cair; essa bandeira escarlate sinaliza a quilômetros de distância para bandos de aves migratórias que os cachos de frutos ricos em lipídios já estão maduros.
  • Tolerância radicular à hipóxia: como habita planícies aluviais que ficam submersas durante as cheias de verão, suas raízes desenvolvem lenticelas hipertrofiadas — pequenos poros respiratórios na casca — e vias metabólicas capazes de suportar semanas de solo encharcado e pobre em oxigênio sem apodrecer, enquanto a madeira impregna-se de taninos fungicidas naturais.

Assim, a mesma fisiologia que permite às raízes respirar debaixo d'água no verão prepara a copa para pintar o outono de vermelho e alimentar a fauna exatamente quando a floresta entra no repouso de inverno.

Geografia de distribuição

  • China

Fontes

  • Plants of the World Online (POWO). Royal Botanic Gardens, Kew: Bischofia polycarpa (H.Lév.) Airy Shaw.
  • Flora of China, Vol. 11 (2008): Bischofia polycarpa, páginas 217–218.
  • World Flora Online (WFO): Bischofia polycarpa (H.Lév.) Airy Shaw.
  • Global Biodiversity Information Facility (GBIF): Bischofia polycarpa Backbone Taxonomy.

Informação técnica

Sinônimos do táxon: Bischofia racemosa, Celtis polycarpa

Bancos de dados externos: GBIF, POWO, Tropicos

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