Ginkoito de Hutton
Ginkgoites huttoni
Espécie fóssil da família Ginkgoaceae do Jurássico Médio de Yorkshire, Reino Unido.
Com origem nos riquíssimos depósitos da Formação Baqueró, na província de Santa Cruz, Argentina, esta espécie fóssil documenta a flora do Cretáceo Inferior. A preservação excepcional de Ginkgoites ticoensis inclui cutículas foliares que oferecem dados celulares valiosos. Esses registros fornecem uma visão única sobre a vegetação dominada por gimnospermas no hemisfério sul durante o Mesozoico.
A abundância de suas impressões foliares em depósitos lacustres e fluviais indica que a planta habitava zonas ripárias úmidas. A análise detalhada de seus caracteres diagnósticos auxilia cientistas do mundo inteiro a traçar mapas fitogeográficos antigos.
A morfologia foliar apresenta uma lâmina nitidamente semicircular ou em forma de leque, sustentada por um pecíolo robusto e alongado. Esta lâmina divide-se profundamente em quatro a oito lobos primários cuneiformes, os quais podem sofrer subdivisões adicionais nas margens distais. A nervação dicotômica exibe veias que correm paralelas e se dividem regularmente em direção ao ápice.
A cutícula é anfistomática, apresentando estômatos ligeiramente afundados cercados por células subsidiárias proeminentes. Esta configuração celular sugere uma proteção mecânica adaptativa contra a perda excessiva de água em períodos de seca temporária.
Os espécimes fósseis de Ginkgoites ticoensis são cruciais para a datação relativa e correlação bioestratigráfica do Cretáceo Inferior na Patagônia. Eles funcionam como fósseis-guia indispensáveis para a identificação da Formação Baqueró.
Essas amostras também desempenham papel fundamental na reconstrução do paleoclima mesozoico da América do Sul. A estrutura epidérmica foliar ajuda a decifrar a umidade relativa e as oscilações sazonais do dióxido de carbono atmosférico na época.
O nível de detalhe na preservação de suas células epidérmicas é tão alto que permite a comparação direta com a fisiologia da atual árvore sagrada do Japão. Os fósseis indicam que esta planta prosperava em um ambiente dinâmico, convivendo com gigantescos dinossauros herbívoros da Patagônia.
Bancos de dados externos: GBIF
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