Ginkoito de Tico (Ginkgoites ticoensis)
Ginkgoites ticoensis: O Fóssil Cretáceo da Formação Baqueró
Com origem nos riquíssimos depósitos da Formação Baqueró, na província de Santa Cruz, Argentina, esta espécie fóssil documenta a flora do Cretáceo Inferior. A preservação excepcional de Ginkgoites ticoensis inclui cutículas foliares que oferecem dados celulares valiosos. Esses registros fornecem uma visão única sobre a vegetação dominada por gimnospermas no hemisfério sul durante o Mesozoico.
A abundância de suas impressões foliares em depósitos lacustres e fluviais indica que a planta habitava zonas ripárias úmidas. A análise detalhada de seus caracteres diagnósticos auxilia cientistas do mundo inteiro a traçar mapas fitogeográficos antigos.
Taxonomia
- ∟ царство Plantae
- ∟ divisão Tracheophytes
- ∟ subdivisão Spermatophytes (Espermatófitas)
- ∟ superclasse Gymnospermae
- ∟ classe Ginkgoopsida (Árvores-dos-leques)
- ∟ ordem Ginkgoales
- ∟ família Ginkgoaceae (Ginkgoáceas)
- ∟ gênero Ginkgoites (Árvore-dos-quarenta-escudos-ancestral)
- ∟ espécie Ginkgoites ticoensis (Ginkoito de Tico)
Morfologia
A morfologia foliar apresenta uma lâmina nitidamente semicircular ou em forma de leque, sustentada por um pecíolo robusto e alongado. Esta lâmina divide-se profundamente em quatro a oito lobos primários cuneiformes, os quais podem sofrer subdivisões adicionais nas margens distais. A nervação dicotômica exibe veias que correm paralelas e se dividem regularmente em direção ao ápice.
A cutícula é anfistomática, apresentando estômatos ligeiramente afundados cercados por células subsidiárias proeminentes. Esta configuração celular sugere uma proteção mecânica adaptativa contra a perda excessiva de água em períodos de seca temporária.
Aplicações
Os espécimes fósseis de Ginkgoites ticoensis são cruciais para a datação relativa e correlação bioestratigráfica do Cretáceo Inferior na Patagônia. Eles funcionam como fósseis-guia indispensáveis para a identificação da Formação Baqueró.
Essas amostras também desempenham papel fundamental na reconstrução do paleoclima mesozoico da América do Sul. A estrutura epidérmica foliar ajuda a decifrar a umidade relativa e as oscilações sazonais do dióxido de carbono atmosférico na época.
Fatos interessantes
O nível de detalhe na preservação de suas células epidérmicas é tão alto que permite a comparação direta com a fisiologia da atual árvore sagrada do Japão. Os fósseis indicam que esta planta prosperava em um ambiente dinâmico, convivendo com gigantescos dinossauros herbívoros da Patagônia.
Geografia de distribuição
- Argentina
Fontes
- POWO (Plants of the World Online) - Informações taxonômicas sobre divisões extintas de gimnospermas.
- WFO (World Flora Online) - Registros nomenclaturais do gênero fóssil Ginkgoites.
- Tropicos (Missouri Botanical Garden) - Banco de dados paleobotânicos e referências originais de Herbst.
- GBIF (Global Biodiversity Information Facility) - Coleções paleontológicas e registros georreferenciados na Argentina.
Informação técnica
Bancos de dados externos: GBIF