Picrasma
Picrasma
Gênero de árvores e arbustos tropicais conhecidos por sua casca extremamente amarga.
A Henoonia myrtifolia é uma pequena árvore ou arbusto lenhoso de até dois metros e meio de altura, encontrado exclusivamente nas terras baixas da região central de Cuba. Seu epíteto myrtifolia significa «com folhas de murta», destacando suas pequenas lâminas firmes e brilhantes de margens levemente enroladas, adaptadas ao calor insular.
Única representante do gênero Henoonia dentro da família Solanaceae (subfamília Goetzeoideae), a espécie foi descrita em 1866 pelo botânico alemão August Heinrich Rudolf Grisebach na obra Catalogus Plantarum Cubensium. Durante décadas, suas características incomuns levaram taxonomistas a classificá-la em uma família separada (Goetzeaceae) ou sob os sinônimos históricos Bissea myrtifolia e Castelaria brittonii, até que estudos de DNA confirmaram seu lugar entre as solanáceas.
A Henoonia myrtifolia apresenta porte arbustivo ou de arvoreta, alcançando até 2,5 metros de altura, com ramos de casca acinzentada que ocasionalmente desenvolvem espinhos. Suas folhas têm formato estreitamente ovado a obovado-elíptico, com ápice agudo ou terminado em uma pequena ponta rígida (mucronado).
As flores são pentâmeras e surgem isoladas ou reunidas em pequenos fascículos diretamente nos nós das ramificações. O cálice tem formato de taça (cupuliforme), medindo de 2 a 2,5 milímetros de comprimento, com dentes triangulares guarnecidos por pelos discretos.
O fruto possui ápice pontiagudo e diferencia-se da maioria das solanáceas por abrigar uma única semente grande. Essa semente ovoide mede de 7 a 8 milímetros de comprimento, 5,3 a 6,4 milímetros de largura e até 5,7 milímetros de espessura.
Floresce de maio a outubro, com maturação dos frutos ocorrendo entre junho e outubro.
Enquanto a maioria das plantas da família da batata e do tomate produz bagas ou cápsulas repletas de dezenas de sementes minúsculas, a Henoonia myrtifolia segue uma estratégia reprodutiva oposta nas formações secas de baixa altitude (0 a 300 metros) de Cuba. Seu ovário unilocular concentra toda a energia materna em um único óvulo, gerando uma semente solitária e volumosa que ocupa quase todo o fruto.
Essa semente de até 8 milímetros carrega reservas nutritivas substanciais no embrião, permitindo que a jovem plântula estabeleça raízes profundas rapidamente após as chuvas sazonais de verão, sem depender imediatamente da fotossíntese em solos rasos.
A semelhança com a murta europeia, que inspirou o nome myrtifolia, não é mero acaso estético, mas um ajuste micromecânico ao clima cubano sob forte insolação costeira e subcosteira.
Sinônimos do táxon: Henoonia brittonii, Castela brittonii, Henoonia angustifolia
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