Picrasma
Picrasma
Gênero de árvores e arbustos tropicais conhecidos por sua casca extremamente amarga.
A Nicandra physalodes, conhecida popularmente no Brasil como joá-de-capote ou balãozinho, é uma erva anual vigorosa nativa das encostas andinas da América do Sul. Ela chama a atenção pelas flores solitárias em forma de sino, tingidas de azul-pálido ou lilás com o centro branco, e pelo cálice que infla após a floração como uma pequena lanterna de papel. É justamente dessa cápsula protetora, muito semelhante aos invólucros do gênero Physalis, que deriva o epíteto específico physalodes.
A espécie pertence à família Solanaceae e teve uma trajetória taxonômica movimentada no século XVIII. Foi descrita inicialmente por Carl von Linné em 1753 sob o nome Atropa physalodes, até que o botânico alemão Joseph Gaertner a transferiu para o gênero próprio Nicandra em 1791, nomeado em referência ao antigo poeta e médico grego Nicandro de Cólofon, autor de tratados clássicos sobre venenos e plantas medicinais.
Trata-se de uma planta herbácea anual de crescimento rápido, que atinge geralmente entre 0,5 e 1,5 metro de altura, podendo chegar raramente a 2 metros em solos muito férteis. O caule é ereto, vigorosamente ramificado, oco e apresenta quinas bem demarcadas (levemente anguloso), mantendo-se quase sempre glabro, isto é, sem pelos visíveis.
As folhas dispõem-se de forma alterna ao longo dos ramos e são sustentadas por pecíolos longos e estreitamente alados, de até 11 centímetros. A lâmina foliar tem textura membranácea, formato ovalado a elíptico e margens profundamente denteadas ou sinuadas, exibindo na face superior minúsculos pontos escuros dos quais emergem papilas translúcidas microscópicas.
As flores são actinomorfas (com simetria radial) e hermafroditas, surgindo isoladas nas axilas das folhas sobre pedicelos que começam eretos e logo se curvam para baixo. Cada flor dura apenas algumas horas, abrindo-se normalmente perto do meio-dia e fechando-se no meio da tarde.
Após a polinização, o cálice é acrescente, ou seja, continua crescendo junto com o fruto até envolvê-lo por completo como um casulo estrelado de textura pergaminácea e nervuras reticuladas bem visíveis. Diferentemente das espécies de Physalis, nas quais as sépalas formam uma bolsa inteiriça, na Nicandra physalodes as sépalas permanecem profundamente divididas e apenas encostadas pelas bordas.
No interior dessa lanterna seca amadurece uma baga esférica de 1 a 2 centímetros de diâmetro, de coloração pardacenta e polpa relativamente seca quando madura. Ela abriga dezenas de pequenas sementes achatadas e reniformes (em formato de rim), de casca espessa e superfície finamente reticulada.
Floresce do meio do verão até o início do outono nas regiões de clima temperado, podendo florescer durante quase todo o ano em regiões tropicais e subtropicais.
Apesar de conter alcaloides e lactonas esteroidais que exigem cautela por sua toxicidade, a espécie acumulou usos variados ao longo dos continentes por onde se espalhou. Na horticultura e no paisagismo, é cultivada desde o século XVIII como planta ornamental anual e como planta-armadilha em estufas e hortas, pois atrai a mosca-branca para suas folhas, cuja seiva é letal para as larvas do inseto; seus cálices secos e reticulados também são muito procurados para arranjos florais desidratados.
Nos vales andinos sujeitos a ventos secos e forte radiação solar, os órgãos reprodutivos jovens da flor poderiam desidratar antes mesmo de desabrochar. Para evitar esse risco, o cálice fechado do botão floral funciona como uma câmara selada e impermeável.
Na parede interna das sépalas existem numerosos hidatódios — pequenas glândulas secretoras de água — que preenchem o interior do botão com um líquido rico em potássio e açúcares. Submersos nesse banho protetor, os estames e o pistilo se desenvolvem em temperatura e umidade constantes, e o fluido evapora no momento exato em que as pétalas se abrem para receber as abelhas.
O apelido inglês shoo-fly plant (planta espanta-moscas) não é folclore de jardineiro, mas o resultado de um arsenal bioquímico específico. As folhas produzem nicandrenonas, compostos pertencentes ao grupo dos witanolídeos — lactonas esteroidais que interferem no sistema nervoso e no apetite dos insetos fitófagos, impedindo que devorem a folhagem.
Sinônimos do táxon: Calydermos erosus, Pentagonia physalodes, Nicandra minor, Nicandra undulata, Nicandra nana, Nicandra parvimaculata, Nicandra physalodes var. violacea, Nicandra macrocalyx, Nicandra nebulosa, Nicandra brevicorollata, Atropa physalodes, Atropa daturifolia, Physalis spectabilis, Physalis daturifolia
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