Marupá-verdadeiro (Simarouba amara)

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Simarouba amara: Propriedades, Usos e Botânica

Nas profundezas das florestas tropicais úmidas da Amazônia e da América Central, uma árvore imponente se destaca não apenas pela sua copa exuberante, mas por suas propriedades amargas que revolucionaram a medicina tradicional. A Simarouba amara, popularmente conhecida no Brasil como marupá, possui uma longa trajetória de uso contra febres e problemas intestinais graves.

Esta espécie se desenvolve em ritmo acelerado sob intensa exposição solar, alcançando o dossel da floresta em poucos anos. O interesse comercial na Simarouba amara cresceu devido à sua madeira incrivelmente leve e clara, ideal para a fabricação de móveis finos e papel.

Além de fornecer matéria-prima de qualidade, ela desempenha um papel ecológico fundamental na contenção da erosão do solo e no suporte à fauna local através da dispersão de suas sementes por animais.

Taxonomia

  • царство Plantae
  • divisão Tracheophytes
  • subdivisão Spermatophytes (Plantas com sementes)
  • Angiosperms
  • mesangiosperms
  • eudicots
  • Superrosids
  • rosids
  • malvids
  • ordem Sapindales
  • família Simaroubaceae (Simaroubáceas)
  • gênero Simarouba (Simaruba)
  • espécie Simarouba amara (Marupá-verdadeiro)

Morfologia

A Simarouba amara é uma árvore perenifólia de grande porte, capaz de atingir alturas de até 35 a 40 metros e um diâmetro de tronco de 125 centímetros. Seu tronco reto apresenta uma casca cinzenta ou acastanhada relativamente lisa, que se torna levemente fissurada com a idade.

Sua estrutura foliar e reprodutiva apresenta características bem definidas:

  • Folhas: Compostas, alternadas e com cerca de 60 cm de comprimento, contendo entre 9 e 16 folíolos coriáceos, oblongos ou obovados.
  • Flores: Unissexuais e diminutas, com menos de 1 cm de comprimento, coloração amarelo-pálida e dispostas em panículas de até 30 cm.
  • Frutos: Drupas elípticas agrupadas de 3 a 5 unidades, medindo de 1,5 a 2 cm, que se tornam roxo-escuras ou pretas na maturação.
  • Sementes: Grandes, pesando cerca de 0,25 g, desprovidas de dormência prolongada e altamente dependentes de dispersores animais.

Período de floração

Ocorre geralmente de janeiro a julho, variando conforme a localidade e a presença de estações secas bem definidas.

Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nome
Dez

Aplicações

A casca e as folhas da Simarouba amara são amplamente empregadas na medicina tradicional de sua região de origem. Desde o século XVIII, extratos desta planta são utilizados para combater a disenteria, diarreia crônica e malária. Estudos científicos confirmaram a presença de quassioides, compostos bioativos com forte ação antimicrobiana e antiamebiana.

Na indústria madeireira, a madeira de marupá é altamente valorizada pela sua leveza e facilidade de processamento. Ela é amplamente empregada na fabricação de móveis finos, compensados, papel, fósforos e na construção civil.

Outros usos importantes incluem:

  • Óleo vegetal: Extraído das sementes, fornece um óleo comestível de qualidade que serve como equivalente da manteiga de cacau.
  • Recuperação ambiental: A espécie possui sistema radicular robusto e copa densa, sendo excelente para controlar a erosão do solo e reflorestar áreas degradadas.
  • Alimentação: A polpa carnuda e comestível dos frutos é utilizada localmente na produção de bebidas doces.

Fatos interessantes

As folhas da Simarouba amara demonstram uma plasticidade impressionante dependendo de sua posição na floresta. No dossel superior, onde a luz is intensa, elas se tornam consideravelmente mais espessas, enquanto no sub-bosque sombrio elas permanecem delgadas para maximizar a captura de luz fraca.

Algumas curiosidades biológicas e ecológicas sobre a espécie incluem:

  • Regulação hídrica estrutural: O fluxo de água é regulado pela área das folhas, e não pelo fechamento dos estômatos, tornando a cavitação comum e inofensiva em seus ramos.
  • Germinação favorecida por primatas: As sementes ingeridas e defecadas por macacos têm maior probabilidade de germinar com sucesso do que as que caem diretamente no solo.
  • Toxicidade para animais domésticos: As aparas de madeira desta árvore não devem ser usadas como cama de animais, pois causam envenenamento grave em cavalos e cães.
  • Dispersão a longa distância: Embora a dispersão gravitacional ocorra a curtas distâncias, os animais dispersam as sementes por até 1 quilômetro de distância da planta-mãe.
  • Acúmulo de fosfato: O solo sob as árvores femininas possui maior concentração de fosfato biodisponível devido à queda de frutos e atração de animais.

Geografia de distribuição

  • Brasil
  • Colômbia
  • Venezuela
  • Peru
  • Bolívia
  • Equador
  • México
  • Guatemala
  • Costa Rica
  • Panamá
  • Guiana
  • Suriname
  • Guiana Francesa
  • Honduras
  • Nicarágua
  • Belize
  • Cuba
  • Jamaica
  • Dominica
  • Porto Rico

Variedades naturais

Informação técnica

Sinônimos do táxon: Quassia simarouba

Bancos de dados externos: GBIF, POWO, Tropicos