Ovo-de-galo-comum (Salpichroa origanifolia)

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Salpichroa origanifolia: características, frutos e usos da planta

Salpichroa origanifolia, conhecida popularmente em língua portuguesa como orelha-de-ovelha, é uma planta herbácea perene e trepadeira-rastejante nativa do sul do Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Bolívia e Peru. Seus ramos flexíveis em zigue-zague exibem delicadas flores brancas pendentes que lembram pequenos sinos de porcelana e folhas arredondadas cujo formato inspirou o epíteto origanifolia («com folhas semelhantes às do orégano»).

Membro da família Solanaceae, a espécie foi descrita pela primeira vez em 1791 pelo naturalista francês Jean-Baptiste de Lamarck sob o basônimo Physalis origanifolia. Posteriormente, no final do século XIX e início do século XX, os botânicos Henri Ernest Baillon e Albert Thellung consolidaram sua classificação definitiva dentro do gênero Salpichroa.

Taxonomia

  • ∟ царство Plantae
  • ∟ divisão Tracheophytes (Plantas vasculares)
  • ∟ subdivisão Spermatophytes (Plantas com sementes)
  • ∟ Angiosperms
  • ∟ mesangiosperms (Mesangiospermas)
  • ∟ eudicots (Eudicotiledôneas)
  • ∟ core eudicots
  • ∟ asterids
  • ∟ ordem Solanales
  • ∟ família Solanaceae
  • ∟ gênero Salpichroa
  • ∟ espécie Salpichroa origanifolia (Ovo-de-galo-comum)

Morfologia

Sistema subterrâneo e caules

A espécie desenvolve uma vigorosa rede subterrânea de rizomas (caules subterrâneos horizontais que acumulam reservas e emitem novos brotos), garantindo sua regeneração ano após ano. A parte aérea é formada por caules finos, quadrangulares e muito ramificados, que crescem em suave zigue-zague por 1,5 a 3 metros de comprimento, apoiando-se sobre o solo, muros ou outras plantas.

Folhas

As folhas são simples, inteiras e sustentadas por pecíolos de 5 a 10 milímetros, dispondo-se de forma alterna ou frequentemente aos pares desiguais nos nós. Suas lâminas medem de 1 a 3,5 centímetros de comprimento, variando do formato elíptico-ovado ao quase circular, com superfície lisa ou levemente pubescente.

Flores e frutos

  • Flores: Nascem solitárias nas axilas das folhas, presas a pequenos pedúnculos curvados para baixo; a corola branca ou creme tem formato urceolado (semelhante a uma pequena urna ou campânula estreitada na boca) e mede de 6 a 15 milímetros de comprimento.
  • Frutos: O fruto é uma baga ovoide de 1 a 2 centímetros de comprimento, que adquire coloração branco-marfim ou amarelo-pálida translúcida quando madura, abrigando polpa suculenta e numerosas sementes pequenas.

Período de floração

Floresce intensamente da primavera ao outono, podendo produzir flores praticamente o ano inteiro em regiões de clima ameno sem geadas.

Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nome
Dez

Aplicações

Nas regiões pampeanas da Argentina, do Uruguai e no Paraguai, as bagas plenamente maduras e esbranquiçadas de Salpichroa origanifolia são tradicionalmente colhidas para consumo in natura ou para o preparo de doces caseiros e conservas, pois apresentam polpa adocicada cujo sabor lembra o de certas uvas. Na apicultura sul-americana, a espécie também é valorizada como excelente planta melífera, fornecendo néctar abundante para as abelhas durante boa parte do verão e do outono.

Por causa de sua folhagem densa e das flores delicadas que lembram o lírio-do-vale europeu, a planta chegou a ser introduzida como cobertura ornamental de cercas e muros em jardins de clima temperado e mediterrâneo. Contudo, devido à sua extrema capacidade de expansão por rizomas e sementes, ela escapou do cultivo e tornou-se uma planta invasora de difícil controle em diversos locais, tendo sua venda e distribuição proibidas em regiões como a Tasmânia.

Fatos interessantes

Dupla estratégia de conquista e flores à prova de chuva

O sucesso de Salpichroa origanifolia em atravessar oceanos e colonizar costas, muros antigos e terrenos pedregosos de cinco continentes deve-se à coordenação precisa entre duas formas complementares de propagação. Sob a terra, seus rizomas ramificados funcionam como cabos de reserva energética capazes de regenerar uma planta inteira a partir de um mínimo fragmento esquecido no solo; acima da terra, suas bagas branco-pálidas destacam-se na folhagem escura e atraem aves e pequenos animais que dispersam as sementes a longas distâncias.

A própria arquitetura da flor em formato de pequena urna invertida (corola urceolada) demonstra um ajuste fino ao ambiente aberto dos pampas e restingas. Ao manter a abertura voltada diretamente para baixo e estreitada na borda, a flor protege os grãos de pólen contra o impacto das chuvas de verão e evita que o néctar seja diluído pela água, obrigando as abelhas visitadoras a se agarrarem na borda da campânula para alcançar o fundo da flor.

Geografia de distribuição

  • Brasil
  • Argentina
  • Uruguai
  • Paraguai
  • Chile
  • Bolívia
  • Peru
  • Portugal
  • Espanha
  • França
  • Itália
  • Reino Unido
  • Croácia
  • Geórgia
  • Marrocos
  • Argélia
  • Tunísia
  • Egito
  • Austrália
  • Estados Unidos
  • Canadá
  • México

Informação técnica

Sinônimos do táxon: Atropa rhomboidea, Salpichroa rhomboidea, Perizoma rhomboidea, Atropa origanifolia, Physalis origanifolia, Salpichroa rhomboidea var. pubescens, Salpichroa rhomboidea var. divaricata

Bancos de dados externos: GBIF, POWO, Tropicos

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